Milla

Quentin Tarantino

Quentin Jerome Taratino nasceu em Knoxville, Tennesee, nos Estados Unidos em 27 de março de 1963. Ao contrário de muitos outros diretores, Tarantino não teve formação acadêmica em cinema, mas estudou teatro na James Best Theatre Company. Ele trabalhava em uma locadora famosa e era uma espécie de cinéfilo. Foi a partir do roteiro True Romance escrito por ele que Tarantino fez seu nome e a partir daí, não parou mais, se tornando um dos principais nomes do cinema independente dos Estados Unidos da América

Há quem diga que Quentin Tarantino revolucionou o cinema norte americano, criando filmes que se afastavam do estilo cine-família com os quais os ianques estavam tão acostumados. Nos filmes de Tarantino há a parte trash, mas há muito diálogo, incomum ao típico cinema de Hollywoody, que fazem referência ao próprio cinema de consumo, como também ao cinearte. Alé disso as falas são críticas à sociedade, ou pensamentos quase filosóficos.

A trilha sonora dos filmes de Tarantino falam pela obra. Quem não lembra de Black Eyed Peas no filme Pulp Fiction, logo no começo? A música tem seu papel nos filmes. Godard, um dos famosos diretores da Nouvelle Vague fracesa dizia que queria dar à música um lugar tão decente no filme como a imagem. Tarantino, que deixa claro a influência de Godard no seu trabalho, também dá espaço a ela. Aliás, as influências de Godard sobre os filmes de Tarantino não param por aí.

Perspectiva de Câmera (quem já assistiu Pierot le fou, deve se lembrar da cena em que Ana Karina aparece mostrando para câmera uma tesoura na mão, aliás nessa cena ela ficou muito parecida com Uma Thurman), tom e mulheres são alguns exemplos dessa inspiração. (Pierot le fou tem seu lado trash que foi muito bem aproveitado nos filmes de Tarantino)

 

Falando em mulheres, de certa forma os filmes de Tarantino se distanciam de Godard aqui. Em filmes como Kill Bill, Death Proof, Bastardos Inglórios, a mulher assume um posição decisiva e central no filme, dando bases para a teoria psicoanalítica feminista do cinema. A teoria psicoanalítica tenta usar a psicanálise para explicar o que acontece com o telespectador quando ele senta-se na sua cadeira na sala de cinema e começa a assistir um filme. Segundo eles ele deixa de observar tudo de forma consciente e passa a ver o filme de forma inconsciente, se identifica com os personagem e mergulha na história. O feminismo critica a forma que a mulher é t no cinema tradicional, reforçando a natureza machista dos filmes. As heroínas de Tarantino apresentam o desejo de vingança à sociedade patriarcal e vão de encontro com essa necessidade de se sobressaírem na sociedade.  Assim uma mulher que assiste a esses filmes se reconhecem na tela e transportam para as personagens tudo aquilo que guardam no eu próprio inconsciente. A vitória da personagem é a vitória dela mesma.

E o que dizer do uso das cores em seus filmes? Amarelo e preto nas roupas da Kill Bill representa o quão “perigosa” é  a personagem. Na natureza amarelo e preto, assim como vermelho e preto representam perigo. É a cor das abelhas, vespas, cobras e sapos venenosos entre outros. Na hora que Beatrix Kiddo resolve abandonar a vida de assassina profissional e se esconder numa pacata cidade, se casar com um caipira, encontramos então uma mulher de branco, e noiva, se preparando para um casamento, dócil e frágil.

Em Death Proof as mulheres seguras de si estão protegidas enquanto estão no carro amarelo e preto, mas ao experimentar o carro branco, se tornam então alvo de uma perseguição extremamente perigosa, estando elas, nesse momento, quase inofensivas. Tarantino se dá ainda ao a liberdade de passar cenas inteiras em preto e branco nos seus filmes. Why not?

Uma das técnicas que é típica do Tarantino, é encontrada em cenas como quando seus personagens estão sentados em uma mesa e a câmera acompanha a conversa ao redor dos personagens. Ela contorna cerca de 180º do cenário e depois retorna ao seu ponto inicial. Isso é fácil de observar em Death Proof (À prova de morte), quando a segunda leva de mulheres estão sentadas em uma lanchonete conversado e a câmera circula de volta da mesa, como também em Bastardos Inglórios, quando o Hans Landa (Christoph Waltz), detetive nazista caçador de judeus, senta-se a mesa na casa do camponês francês e discorre do porquê dele ser considerado o maior caçador de judeus e do apelido que ele recebe por isso. É difícil dizer a função dessa espiada de câmera, mas o fato é que a estética dela é indiscutível.

Amados por uns, odiado por outros, fato é que dificilmente ele é um total desconhecido entre o público. Então saiba que da próxima vez que você for ao cinema assistir um filme de Tarantino espere par ver muito sangue, mas observe também as perspectivas de câmera, iluminação, cores, geometria e som. E isso vale para muitos outros filmes também.

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Na Alemanha Tem ?, Milla . Milla said: Quem gosta do Tarantino levanta a mão? E quem nao gosta? Passa no blog 🙂 https://cinekaputt.wordpress.com/diretores/quentin-tarantino/ […]

  2. Cara adorei o post. Ele é o melhor diretor ever, naum tem como naum gostar dele ^^

  3. Black eyed peas em pulp fiction foi foda…

  4. Por favor, não é Black Eyed Peas que toca em Pulp Fiction, aliás, é muito melhor que isso. É uma regravação feita pelo Dick Dale de uma música grega chamada Misirlou.

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