Milla

É Tudo Verdade

In documentário, Festivais on 12/03/2010 at 11:08
Infelizmente, quem curte e pretende seguir carreira de documentarista/cineasta ou coisa do gênero e não foi privilegiado de nascer em centros como Rio-São Paulo tem duas opções: Ou se mudam para o lugar onde tudo acontece ouuu… desiste! Simplesmente assim!
Por mais que existam iniciativas locais de fomentar a produção cinematográfica – como no ES existe o Vitória Cine Video que é um festival excelente, crescendo e trazendo cada vez mais os grandes profissionais da área para o estado – essas iniciativas ainda são o engatinhar do processo.
Eu quero falar aqui especificamente sobre o Festival Internacional de Documentários “É Tudo Verdade” que tem como idealizador o jornalista e crítico de cinema Almir Labaki. Esse festival é um dos poucos e dos maiores festivais do mundo no ramo de documentário, justamente por documentário ser o “patinho feio” do cinema. Isso não significa que seja menos importante.
A vantagem de se fazer um documentário em contrapartida da ficção é ao mesmo tempo uma desvantagem. Não se tem um roteiro já pronto, muitas vezes ele vai se moldando com o rodar do filme. O produtor de um documentário tem que ter bem fixa na cabeça que mensagem ele quer passar porque senao ele pode perder a linha de raciocínio, fugir do tema e no final não obter um trabalho coerente. Por outro lado, uma idéia muito fixa pode muitas vezes cegar o produtor a ponto de ele induzir as pessoas a falarem o que ele quer ouvir e não mostrar a real situação da coisa.
Se por um lado os documentários conseguem ir além de uma reportagem televisiva, já que é um trabalho feito com mais liberdade de expressão e liberdade de formato, precisa existir ao mesmo tempo um cuidado de não se apresentar ao público uma opinião inflexível sobre um tema, não deixar que o subjetivo, que o “eu acho” se insira demais dentro do contexto narrativo, mas tentar mostrar os fatos simplesmente com uma interferência mínima, pelo menos consciente. É claro que aqui entraríamos em toda a discussão da subjetividade da edição, dos cortes etc. Mas por mais que esteja claro que é impossível obter uma objetividade total, a busca dela é também necessária no campo do documentário. Por isso achei o nome do festival “É Tudo verdade” fantástico, porque até mesmo a verdade pode ser e é algo subjetivo.
Voltando ao ponto inicial do post, sobre essa centraliazação Rio – São Paulo, seria legal que os idealizadores de projetos como o “É Tudo Verdade” olhassem um pouco para outros locais no Brasil- Okay, Brasília estava num ciclo de programações do ano passado – e possibilitassem a leva de amostras, de rodas de debate etc, permitindo assim que quem se interessa e quer trabalhar no ramo, tenha a oportunidade de obter ou ampliar sua rede de contatos com os profissionais da área e quem sabe abrir assim portas pra novos talentos?
Para quem se encontra no eixo Rio/São Paulo e se interessa pelo assunto provavelmente já conhece o É Tudo Verdade, mas caso não conheçam cliquem aqui para visitar o site e ficar atualizado sobre as amostrar, datas do fetival, como se inscrever etc.
E não se esqueçam que é tudo verdade!
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